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Pressionados por uma maioria protestante e romana um pequeno povo ortodoxo precisa da iluminação catequética da Santa Igreja — esse era o público-alvo de São Pedro Moguila no séc. XVII, muito semelhante ao estado atual da Ortodoxia no Brasil.

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Uma ponte construída há séculos, mas que ainda serve de passagem para aqueles que querem entender o que é e o que ensina a Igreja Ortodoxa.

A Confissão Ortodoxa da Igreja Católica Apostólica Oriental é um livro catequético elaborado pelo Metropolita São Pedro Moguila no século XVII, em um período marcado por intensos debates teológicos e por profundas transformações religiosas na Europa Oriental.

Seu surgimento responde à necessidade de apresentar, de forma clara e ordenada, o ensinamento da Igreja Ortodoxa em diálogo com as formulações protestantes e católico-romanas então predominantes.

Longe de se limitar à controvérsia, a obra oferece uma exposição sistemática e pastoral da fé ortodoxa, com o objetivo de tornar inteligíveis seus dogmas, práticas e fundamentos teológicos.

Escrita para instruir, esclarecer e organizar o conteúdo da fé, a Confissão busca situar a tradição ortodoxa de maneira precisa no cenário cristão mais amplo, preservando sua coerência interna e oferecendo ao leitor um acesso direto ao que a Igreja Ortodoxa crê, ensina e confessa.

Confiável, autorizada e recebida por todos os patriarcados.

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A autoridade desta Confissão não deriva de um autor isolado. O texto foi examinado e aprovado no Concílio de Kiev (1640), posteriormente revisado no Concílio de Iași (1642) e, por fim, submetido ao juízo dos quatro Patriarcados Orientais — Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Concluindo que ela era a confissão de fé “não apenas dos russos, mas... A Confissão Ortodoxa de todos os Gregos”.

Após esse processo de avaliação, correção e confirmação, a Confissão foi formalmente recebida como uma exposição fiel e representativa da fé ortodoxa, oferecendo ao leitor não uma interpretação particular, mas o ensinamento que a Igreja reconheceu como conforme à sua doutrina e à sua Tradição. Até mesmo seus maiores críticos e escrutinizadores no século XX alegaram: “a Confissão acabou sendo Ortodoxa de fato, e não apenas no nome.” (Karmiris. Op. cit. Σσ., 589).

Oriental e Ocidental.

A forma e a linguagem adotadas por São Pedro Moguila não foram acidentais.

Ao estruturar a Confissão em perguntas e respostas, com definições claras, distinções precisas e vocabulário técnico cuidadosamente escolhido, o Metropolita recorreu ao método catequético então dominante no Ocidente — não por submissão teológica, mas por uma estratégia pastoral e pedagógica.

Essa era a linguagem intelectual comum do seu tempo, compreendido tanto por ortodoxos quanto por seus interlocutores protestantes e romanos, e permitia que a fé da Igreja fosse exposta com rigor, clareza e sem ambiguidades.

Assim, Moguila utilizou categorias e termos conhecidos para comunicar conteúdos plenamente ortodoxos, apropriando-se da forma para proteger o conteúdo, e demonstrando que a Tradição da Igreja não teme a precisão conceitual quando esta serve à verdade e à instrução dos fiéis.

A versão final e conciliarmente autorizada.

A Confissão foi redigida originalmente em latim por São Pedro Moguila com a colaboração de seus discípulos mais próximos e apresentada ao Concílio de Kiev (1640), onde recebeu correções iniciais.